quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Netos, Melhor Herança da Vida





Netos são como heranças: você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu. É, como dizem os ingleses, um ato de Deus. Sem se passarem as penas do amor, sem os compromissos do matrimônio, sem as dores da maternidade.



É, como dizem os ingleses, um ato de Deus. Sem se passarem as penas do amor, sem os compromissos do matrimônio, sem as dores da maternidade.



 E não se trata de um filho apenas suposto, como o filho adotado: o neto é realmente o sangue do seu sangue, filho de filho, mais filho que o filho mesmo...


Cinquenta anos, cinquenta e cinco... Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. 




 Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem as suas alegrias, as suas compensações — todos dizem isto embora você pessoalmente, ainda não as tenha descoberto — mas acredita.




Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade. Não de amores nem de paixões: a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências.


A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança no seu pescoço. Choro de criança. O tumulto da presença infantil ao seu redor.


 Meus Deus, para onde foram as suas crianças? Naqueles adultos que hoje são seus filhos, que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento a prestações, você não encontra de modo nenhum as suas crianças perdidas. São homens e mulheres - não são mais aquelas crianças que você recorda.




 E então um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis — aquela criancinha da sua raça, da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino que lhe é "devolvido". E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário causaria escândalo e decepção se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor recalcado que há anos se acumulava, desdenhado, no seu coração.



Sim, tenho certeza que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis. Aliás, desconfio muito de que os netos são melhores que namorados, pois que as violências da mocidade produzem mais lágrimas do que enlevos.


No entanto — no entanto! — nem tudo são flores no caminho da avó. Há, acima de tudo, a rival: a mãe. Não importa que ela seja sua filha. Não deixa por isso de ser mãe do seu neto. Não importa que ela ensine o menino a lhe dar beijos e a lhe chamar de "vovozinha", e lhe conte que de noite, às vezes, ele de repente acorda e pergunta por você. São lisonjas, nada mais.



Rigorosamente, nas suas posições respectivas, a mãe e a avó representam, em relação ao neto, papéis muito semelhantes ao da esposa e da amante dos triângulos conjugais.


A mãe tem todas as vantagens da domesticidade e da presença constante. Dorme com ele, dá-lhe de comer, dá-lhe banho, veste-o. Embala-o de noite. Contra si tem a fadiga da rotina, a obrigação de educar e o ônus de castigar.


Já a avó, não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto.
Mora em outra casa. Traz presentes. Faz coisas não programadas. Leva a passear, "não ralha nunca". Deixa lambuzar de pirulitos. Não tem a menor pretensão pedagógica. É a confidente das horas de ressentimento, o último recurso nos momentos de opressão, a secreta aliada nas crises de rebeldia.


Uma noite passada em sua casa é uma deliciosa fuga à rotina, tem todos os encantos de uma aventura. Lá não há linha divisória entre o proibido e o permitido. Dormir sem lavar as mãos, recusar a sopa e comer croquetes, tomar café — café! — mexer no armário da louça, fazer trem com as cadeiras da sala, destruir revistas, derramar a água do gato, acender e apagar a luz elétrica mil vezes se quiser e até fingir que está discando o telefone.



Riscar a parece com o lápis dizendo que foi sem querer — e ser acreditado! Fazer má-criação aos gritos e, em vez de apanhar, ir para os braços da avó e de lá escutar os debates sobre os perigos e os erros da educação moderna.


Sabe-se que, no reino dos céus, o cristão desfruta os mais requintados prazeres da alma. Porém esses prazeres não estarão muito acima da alegria de sair de mãos dadas com o seu neto, numa manhã de sol. E olhe que aqui embaixo você ainda tem o direito de sentir orgulho, que aos bem-aventurados será defeso. Meu Deus, o olhar das outras avós, com os seus filhotes magricelas ou obesos, a morrerem de inveja do seu maravilhoso neto.



E quando você vai embalar o menino e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz: "Vó!", seu coração estala de felicidade, como pão ao forno.


E o misterioso entendimento que há entre avó e neto, na hora em que a mãe o castiga, e ele olha para você, sabendo que, se você não ousa intervir abertamente, pelo menos lhe dá sua incondicional cumplicidade e apoio... Além é claro das compensações....


Até as coisas negativas se viram em alegrias quando se intrometem entre avó e neto: o bibelô de estimação que se quebrou porque o menininho — involuntariamente! — bateu com a bola nele.


Está quebrado e remendado, mas enriquecido com preciosas recordações: os cacos na mãozinha, os olhos arregalados, o beiço pronto para o choro; e depois, o sorriso malandro e aliviado porque "ninguém" se zangou, o culpado foi a bola mesma, não foi, Vó?


Era um simples boneco que custou caro. Hoje é relíquia: não tem dinheiro que pague.
(Raquel de Queiroz)

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Casa de vó






Casa de Vó é o lugar mais doce do mundo!
É onde até o limão é doce e qualquer doce fica muito mais doce.
Há sempre um rocambole fofo coberto de açúcar em cima da geladeira.
E dentro?
Nem se fala...


Há sonhos de verdade cobertos de canela.
Há biscoitos quentinhos acabados de sair.
Há suspiros dourados e beijinhos doces.

E a melhor, a mais limpinha, a mais gostosa cama do mundo.



Há esconderijos segredáveis e mapas de tesouro.
Há castelos, fadas, viagens especiais, reis, princesas e super-heróis.
Há risos, muitos risos de sobremesa nas mesas de Domingo.




Na casa de Vó as coisas são da altura da gente e tudo está ao alcance das mãos.
Nada é cheio de não-me-toques.
Tudo é à prova de neto!
Até a guerra de travesseiros vem, mas significa paz e alegria.


Na casa da vovó dá vontade de correr e brincar o resto da vida sem parar nunca.
Pois trincos não tem, fechaduras também não.
Casa de Vó tem, é muitos braços todos abertos a qualquer hora.
Pra casa de Vó você nunca precisa avisar que vai, é só chegar.



Mesa da casa de Vó vive pronta!
Com toalha bem lavável, sem enfeites caros e novos, resistentes, isso sim.
E tudo funciona melhor na casa de Vó.
As paredes amortecem os tombos.



O chão é menos duro.
O fogão tem mais que seis bocas, todas acesas!
A mesa, como ter pernas...
As cadeiras, mais que dois braços aconchegando.
E Vó, sempre, é toda ouvidos!



Caderno de receita da Vó então, é livro cobiçado, já esgotado.
Todos querem os segredos dos cozidos e dos assados mas ninguém consegue jamais fazer um igual.

Porque o jeito de escrever, as páginas amarelas e as gotinhas de gordura não se fizeram em um dia.


Foram precisos muitos dias de festa e vontade de agradar.
Lamber os dedos pode, mas só na casa da Vó.
Raspa de panela tem sempre, e, o pior, tem fila também.
Se escuta sempre:
Eu pedi primeiro.



Quase toda Vó tem cadeira de balanço, um chinelo jeitoso, uma caixinha com bilhetes, lencinhos e papéis amarelados.
Gaveta de Vó então é uma festa!
De vez em quando toda Vó dá um suspiro bem fundo porque tem coisas demais para se lembrar tendo saudade.




Há coisas que só o amor de Vó faz.
Machucados, por exemplo, são curados com dengo e muitos e muitos beijos.
Dinheiro de Vó rende...
Pensando bem é o único dinheiro que rende.
E costura que Vó faz então?
Chega a vestir três gerações até.





 
As estórias de Vó, as brincadeiras e as cantigas de ninar, só ela conhece, mais ninguém.
E o sono vem cheio de sonhos bons, quando a Vó está por perto.



 
Porque só cheirinho de Vó já é uma delícia!
O colo é tão gostoso e a pele tão macia que ficam na lembrança da gente pro resto da vida.
O assunto não tem fim na casa de Vó.
Ninguém perde o fio da meada, pois é tecido com muito interesse em escutar cada graça, cada novidade, cada descoberta.




 
Há tanto caso engraçado e estórias pra se ouvir, que ver televisão é perder tempo...
O relógio é sempre adiantado para ninguém perder a hora.
Existe na casa de Vó a mágica do tempo, ele obedece, vai e volta, é só querer.
E a gente é o que quer ser.
Cresce, se quiser crescer.


 
A casa de Vó tem o maior espaço do mundo, mesmo que não tenha espaço nenhum.
Porque o espaço maior ficou inventado pela liberdade de rir, de correr e de gritar.



Espaço infinito que é do tamanho do coração que toda Vó tem.

(Não colhi a autoria do texto precioso)

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

O que me faz uma Vovó feliz?


Como ser feliz uma criança sem AMOR?
Ao menos um dos pais tem que amar-nos...
INTENSAMENTE pelos dois, talvez...
"Sorte" de quem tem os dois amando-os...
sorrisinho puro brota do coração amado...



AMOR às crianças....
Vai além de roupas bem cuidadas...
Última geração em roupinhas de grife...
Impecável no corpo e tolhida na alma infantil...
Tristeza no coração...
Sonho reprimido...
Afeto não sentido...


AMOR às crianças provoca sorriso na alma
Um misto de ternura e encantamento
Um acolher a mão e o coração
Num ilimitado AMOR de  para netinho...
Todo especial e meigo
Diferenciado
Especial...


Dar o que talvez não tenhamos recebido
Contrariando a máxima de que se dá o que recebe-se...
AMOR é imprevisível...
Exuberante
Abrangedor
Eloquente por si só...



AMOR é cheio de magia e mistério
Contentamento com pouco
Ou quase nada
Pode ser um aviãozinho ou barquinho de papel tão somente
Qualquer caixinha serve
Como disse-me uma pessoa
O importante é o coração cheio de afeto...


Amar às crianças ao nosso redor
Os que DEUS brindou-nos com tanto AMOR
Ele que só pode dar o que é.
O que tem dentro do seu Bondoso coração...



A pureza do coração de uma criança ninguém pode roubar
Ela permanece através do tempo...
Mesmo diante de tanto percalço imprevisível e aterrador...


O coração infantil amado
Enternece-se e é notado
Pelo carinho que recebe tão espontaneamente
Delicadamente...


Criança feliz estuda e brinca
Dá espaço à sua imaginação
Experimenta e conhece
Cheia de graça e sabedoria cresce...



Quer melhor do que abraço acolhedor de ?
Desemburra qualquer menininho arisco e quieto...



Descansar nos braços da 
Que tanto ama como aquece
Pois feita de mel e açúcar ela permanece...




Boquinha de guloseimas dadas pela  querida
Colinho para os olhos que adormecem...
Quanto carinho...
Viva a fase mimosa que não perece!



Orgulho da 
Que deixa livre de roupinhas e de pressão...
Tudo pode na casa da vovó
Tem AMOR e carinho
E...



Nunca falta uma prece...
Da vovó Rosélia...